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domingo, 3 de julho de 2011

Agenda SAB

03/07. Exibição gratuita do filme Fora da lei, de Rachid Bouchareb, no contexto da mostra de Cinema árabe, às 14:20, no CCBB.

03/07. Exibição gratuita do filme Kung fu panda, de Mark Osborne e John Stevenson, às 15:00, no contexto do projeto Sessão Cineminha, na Fnac.

03/07. Exibição gratuita do filme  Porto da memória , de Kamal Aljafari, no contexto da mostra de Cinema árabe, às 16:50, no CCBB.

03/07. Exibição gratuita do filme Koko, o palhaço, dos Irmãos Fleischer, no contexto da mostra Cine-concertos, às 18:00, no CCBB.

03/07. Exibição gratuita do filme Chang, de Meriam C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, no contexto da mostra Cine-concertos, às 19:20, no CCBB.

03/07. Apresentação gratuita da peça Cosme trepado, dirigida por James Fensterseifer, às 20:00, no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 S. Entrada mediante doação de 1kg de alimento não perecível.

03/07. Apresentação gratuita da peça Nós x Nós, dirigida por Hugo Rodas, no contexto da 13ª Mostra Dulcina de Teatro, às 20:00, no teatro Dulcina de Morais, no Conic.

03/07. Exibição gratuita do filme Filho da Babilônia, de Mohamed Al-Daradji, no contexto da mostra de Cinema árabe, às 21:00, no CCBB.

04/07. Abertura da exposição Diplomação 01/2011, às 19:00, na galeria Piloto, na UnB.

05/07. Abertura das exposições Vlavianos 2010 e Espaço aberto, às 19:00, na Caixa Cultural.

05/07. Lançamento do livro Efeito Marina, de Alfredo Sirkis, às 19:00, no Carpe Diem, na 104 S.

06/07. Exibição gratuita do filme O casamento a três, de Jacques Doillon, no contexto do projeto Cinema francês contemporâneo, às 19:00, no Espaço Le Corbusier, na embaixada da França, na 801 S.

sábado, 2 de julho de 2011

A CASA

Segue texto assinado por José Guilherme (jguilherme@brasiliaemdia.com.br), publicado na edição impressa da revista Brasília em dia (www.brasiliaemdia.com.br).




A CASA


(La Casa Muda) Uruguai, 2010.
Direção/Roteiro: Gustavo Hernández.
Elenco: Florencia Colucci, Abel Tripaldi, Gustavo Alonso
 
Terror verdadeiro

Se você for assistir a este filme esperando ver um filme de “terror”, porque os jornais e mídias eletrônicas o classificaram assim, esqueça. Ele parece mesmo ser um filme de terror, mas só parece, como aquele produto para caspa anunciado na TV. Na realidade, trata-se de uma singular abordagem, densa, intimista, intrigante e, por que não dizer?, assustadora, sobre o destino de duas pessoas, pai e filha (Colucci e Alonso), que são contratados para limpar a área externa de uma velha residência rural que vai ser posta à venda pelo seu proprietário, Néstor (Tripaldi), e na qual começam a acontecer coisas estranhas. Detalhe: o filme é baseado em fatos reais (que teriam acontecido no final da década de 1940), e, segundo os créditos finais, a polícia uruguaia restou perplexa, no curso das investigações sobre o duplo assassinato acontecido ali.

Daí o título original do filme: as mortes perpetradas naquela sombria casa de campo foram silenciadas para sempre. A casa jamais revelou os horrores ocorridos no seu interior, nem quem foi o autor, ou os autores, dos hediondos crimes (algo que talvez só o time do “CSI” poderia desvendar). Mas a qualidade do filme enquanto obra artística não para por aí. Paralelamente com a abordagem do tema, Hernández dá uma verdadeira aula de Cinema ao abusar de travellings, iluminação natural de interiores e exteriores, câmera na mão andando ou correndo (nas tomadas externas com handcam, o filme lembra as cenas rodadas na floresta, no conhecido A Bruxa de Blair), closes que impedem o espectador de ver algo além daquilo que a própria protagonista vê, etc.

Mas não é só. Para além de suas qualidades cênicas, o filme representa um acurado estudo audiovisual sobre os sintomas e os efeitos de uma crescente e assustadora síndrome de esquizofrenia paranóide portada pela personagem principal, a partir de um começo enganadoramente tranqüilo e bucólico. Os sintomas dessa psicopatia colocam o seu portador num plano de dupla realidade vivencial, a real, que é compartilhada com as demais pessoas, e a imaginária, que funciona como um sonho, ou “filme”, passado exclusivamente em sua cabeça, levando-o a interagir com o mundo real através de delírios e surtos que são a sua resposta àquilo que só ele vê, sente e ouve.

Embora rodado em cores, o uso de filtros impede que elas ganhem destaque nos sombrios cenários (internos, a maior parte). A fotografia é granulada e levemente desfocada em alguns momentos. Por último, mas não o menos importante: o filme foi rodado em tempo real, isto é, cada minuto na tela corresponde a um minuto passado aqui fora, o que torna mais realista a sensação de pavor. Além disso, toda a filmagem passa a impressão de ter sido realizada em uma única tomada (take), valorizando esse desconhecido e despretensioso trabalho com “pinta” de amador.

De qualquer forma, é certo que a montagem final não dá sossego ao espectador, o que rende alguns bons sustos. E quem prestar atenção aos surtos da personagem Laura (graças à competência de Florencia Colucci) perceberá alguns detalhes ou “dicas” fornecidos pela própria narrativa visual, que o levarão a antecipar o [aparentemente] imprevisível final. A lógica e o senso comum constituirão boas ferramentas para se atingir algumas conclusões pessoais nesse caminho. Confira. 8/10.

Nota 1: Já falei nesta coluna a respeito do papel do crítico. Faço este adendo em função, não só do filme de Woody Allen (v. Edição 749), como do filme que consta desta edição. Muitos acham que crítico de qualquer obra audiovisual tem que ser o sujeito que “critica”, isto é, que acha defeitos, não gosta disso nem daquilo, aponta erros, dá notas rigorosas, e jamais, repito, jamais, se entusiasma com uma obra cinematográfica. Que é o cara que idolatra os “clássicos”, a ponto de achar que qualquer comparação soa como heresia ou sacrilégio. Quem me conhece sabe que não é bem assim. O papel do crítico é mostrar ao seu leitor o que vale a pena ver e o que deve ser descartado, respeitando as opiniões contrárias. E duas coisas essenciais devem ser lembradas: todos podem opinar livremente sobre um filme, mas opina melhor quem entende mais do assunto; e quando um consenso razoável se forma sobre um filme, é porque ele representa o que a maioria das pessoas cultas pensa a respeito dele. Isso passa a valer, portanto, como um indicativo confiável sobre aquele trabalho.
 
Nota 2: Se você é leitor assíduo desta Coluna e ainda não assistiu ao clássico Psicose, está na hora de começar a rever os seus conceitos sobre Cinema.

Agenda SAB

02/07. Apresentação gratuita do filme Cinesclaff’arfi, homenagem ao comediante Harry Langdon, no contexto da mostraCine-concertos, às 18:00, no CCBB.

02/07. Apresentação gratuita do filme Nanook — O esquimó, de Robert Flaherty, no contexto da mostraCine-concertos, às 19:30, no CCBB.

02/07. Coquetel de encerramento da exposição Ateliê caboclo, de Marcos Araújo, às, 19:00, no espaço cultural Renato Russo, na 508 S.

02/07. Apresentação gratuita da peça Nós x Nós, dirigida por Hugo Rodas, no contexto da 13ª Mostra Dulcina de Teatro, às 20:00, no teatro Dulcina de Morais, no Conic.

02/07. Apresentação gratuita da peça Cosme trepado, dirigida por James Fensterseifer, às 21:00, no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 S. Entrada mediante doação de 1kg de alimento não perecível.

02/07. Apresentação gratuita da peça Medeia, dirigida por Júlio Cruccioli, às 21:00, no Espaço Cultural Mosaico, na 714/715 N, Bl D, Lj 01. Entrada mediante retirada de convites.

02/07. Apresentação gratuita da peça O túnel da rua Guarda-Mor, dirigida por Alberto Bruno, às 21:00, na CNEC, na 608 N, Cj C. Entrada mediante doação de 1kg de alimento não perecível.

04/07. Abertura da exposição Diplomação 01/2011, às 19:00, na galeria Piloto, na UnB.

05/07. Abertura das exposições Vlavianos 2010 e Espaço aberto, às 19:00, na Caixa Cultural.

05/07. Lançamento do livro Efeito Marina, de Alfredo Sirkis, às 19:00, no Carpe Diem, na 104 S.

06/07. Exibição gratuita do filme O casamento a três, de Jacques Doillon, no contexto do projeto Cinema francês contemporâneo, às 19:00, no Espaço Le Corbusier, na embaixada da França, na 801 S.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Agenda SAB

30/06. Exibição gratuita do filme Paixão perdida, de Walter Hugo Khouri, no contexto do projeto Cine Cal, às 12:30, na Cal, no SCS Qd 04 Ed Anápolis.

30/06. Exibição gratuita do filme Outra vez, de Joud Said, no contexto da mostra Cinema árabe, às 17:00, no CCBB.

30/06. Exibição gratuita dos filmes que compõem o Festival MixBrasil, às 18:00, na Fnac.

30/06. Exibição gratuita do filme Mascarado, de Lyès Salem, no contexto da mostra Cinema árabe, às 18:20, no CCBB.

30/06. Lançamento do livro O poder da lei versus a lei do poder, de Hélio Sílvio Ourém campos, às 18:30, no STJ.

30/06. Apresentação gratuita de Miquéias Paz, Bruno Aguiar, Clayton Aguiar, e Xangai, no contexto do projeto Quintas culturais T-Bone, às 19:00, no Açogue Cultural T-Bone, na 312 N.

30/06. Lançamento do livro Neusa França- um hino de amor à Brasília, de Jaci Toffano e Dib Franciss, às 19:00, no Carpe Diem, na 104 S.

30/06. Exibição gratuita do filme Barroco- uma viagem ao coração da América do Sul, de Heinz Peter Schwerfel, às 19:00, na embaixada da Alemanha, na 807 S.

30/06. Apresentação gratuita de Flávio Venturini, no contexto do projeto Quinta da Boa Música, às 19:30, no Shopping CasaPark.

30/06. Exibição gratuita do filme Nanouk, o esquimó, de Robert Flaherty, no contexto da mostra Cine-Concertos, às 20:00, no CCBB.anos.

30/06. Apresentação gratuita de Martin Palmeri e de Marcelo Hunkele (bandoneon) com o Coro Lírico da Escola de Música, às 20:00, na Escola de Música de Brasília, na 602 S.
30/06. Apresentação gratuita da Orquestra Sesi-DF, às 20:00 no Centro Cultural Sesi, na QNF 24, AE, Taguatinga Norte.

30/06. Apresentação gratuita da banda Pé de Cerrado, às 21:00, no Teatro do Guará, na AE do Cave, Guará 2.

30/06. Apresentação gratuita da peça Cosme trepado, dirigida por James Fensterseifer, às 21:00, no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 S. Entrada condicionada a doação de 1kg de alimento não perecível.

30/06. Apresentação gratuita da peça Sem sentido, dirigida por Daniela Diniz, às 21:00, no Teatro Paulo Autran, no Sesc Taguatinga Norte, CNB 12, AE 2/3;.

30/06. Exibição gratuita do filme O porto da memória, Kamal Aljafari, no contexto da mostra Cinema árabe, às 21:20, no CCBB.

02/07. Coquetel de encerramento da exposição Ateliê caboclo, de Marcos Araújo, às, 19:00, no espaço cultural Renato Russo, na 508 S.

05/07. Abertura da exposição Vlavianos 2010, às 19:00, na Caixa Cultural.

05/07. Lançamento do livro Efeito Marina, de Alfredo Sirkis, às 19:00, no Carpe Diem, na 104 S.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Agenda SAB

29/06. Exibição gratuita do filme O mestre da guilhotina voadora, de Jimmy Wang Yu, no contexto do projeto Cineclube Iesb, às 11:00, no Iesb, na 613/614 S.

29/06. Exibição gratuita do filme Brilho de uma paixão, de Jane Campion, no contexto do projeto Cine Upis, às 11:00, na Upis, na 712/912 S.

29/06. Exibição gratuita do filme Eu, de Walter Hugo Khouri, no contexto do projeto Cine Cal, às 12:30, na Cal, no SCS Qd 04 Ed Anápolis.

29/06. Exibição gratuita do filme Que mundo maravilhoso,
de Faouzi Bensaïd, no contexto da mostra Cinema árabe, às 17:00, no CCBB.

29/06. Exibição gratuita do filme Brilho de uma paixão, de Jane Campion, no contexto do projeto Cine Upis, às 18:00, na Upis, na 712/912 S.

29/06. Exibição gratuita do filme O porto da memória,
de Kamal Aljafari, no contexto da mostra Cinema árabe, às 18:50, no CCBB.

29/06. Inauguração nova sede Fundação Universa, às 19:00, na 609 N.

29/06. Inauguração do novo showroom da loja Evivva Bertolini, às 19:00,  no shopping CasaPark. 

29/06. Lançamento do livro  Ler o mundo, de Affonso Romano de Sant’Anna, às 19:30, na Biblioteca Demonstrativa, na 506/507 S.

29/06. Apresentação gratuita da banda Pulso, às 19:30, na Fnac.

29/06.  Exibição gratuita dos filmes Ferraduras modernas, de Buster Keaton; O campeão de boxe, Charles Chaplin; Voisin-voisine, de  Buster Keaton; Negócio de arromba, de Laurel e Hardy, no contexto da mostra Cine-Concertos, às 20:00, no CCBB.

29/06. Apresentação gratuita da peça Palhaçadas em cena, com a companhia Circo Boneco, às 20:00, no Centro Cultural, na QNF 24, AE, Taguatinga Norte.

29/06. Exibição gratuita do filme Todo dia é feriado,
de Dima El-Horr, no contexto da mostra Cinema árabe, às 21:20, no CCBB.

30/06. Exibição gratuita do filme Paixão perdida, de Walter Hugo Khouri, no contexto do projeto Cine Cal, às 12:30, na Cal, no SCS Qd 04 Ed Anápolis.

30/06. Exibição gratuita do filme Outra vez, no conexto da mostra Cinema árabe, às 17:00, no CCBB.

30/06. Exibição gratuita dos filmes quem compõem o Festival MixBrasil, às 18:00, na Fnac.

29/06. Exibição gratuita do filme Mascarado, no conexto da mostra Cinema árabe, às 18:20, no CCBB.  

30/06. Apresentação gratuita de Miquéias Paz, Bruno Aguiar, Clayton Aguiar, e Xangai, no contexto do projeto Quintas culturais T-Bone, às 19:00, no Açogue Cultural T-Bone, na 312 N.

30/06. Lançamento do livro Neusa França- um hino de amor à Brasília, de Jaci Toffano e Dib Franciss, às 19:00, no Carpe Diem, na 104 S.

30/06. Exibição gratuita do filme Barroco- uma viagem ao coração da América do Sul, de Heinz Peter Schwerfel, às 19:00, na embaixada da Alemanha, na 807 S.

30/06. Apresentação gratuita de Flávio Venturini, no contexto do projeto Quinta da Boa Música, às 19:30, no Shopping CasaPark.

30/06. Exibição gratuita do filme Nanouk, o esquimó, de Robert Flaherty, no contexto da mostra Cine-Concertos, às 20:00, no CCBB.

30/06. Apresentação gratuita da Orquestra Sesi-DF, às 20:00 no Centro Cultural Sesi, na QNF 24, AE, Taguatinga Norte.

30/06. Apresentação gratuita da banda Pé de Cerrado, às 21:00, no Teatro do Guará.

30/06. Exibição gratuita do filme O porto da memória, no conexto da mostra Cinema árabe, às 21:20, no CCBB.

02/07. Coquetel de encerramento da exposição Ateliê caboclo, de Marcos Araújo, às, 19:00, no espaço cultural Renato Russo, na 508 S.


05/07. Abertura da exposição Vlavianos 2010, às 19:00, na Caixa Cultural.

05/07. Lançamento do livro Efeito Marina, de Alfredo Sirkis, às 19:00, no Carpe Diem, na 104 S. 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sessão Momento Musical


 
O IS informa que neste ano será lembrada a ausência de Gonzaguinha. Há vinte anos o filho de Luiz Gonzaga, o rei do baião, partiu para a eternidade. Tinha 45 anos quando foi vítima de um acidente automobilístico, em 29/04/91, após ter realizado um show no interior do Paraná.
 
Gonzaguinha é considerado um dos melhores compositores brasileiros. Mestre de muitas facetas. Suas canções de forte conteúdo social mostram a indignação de um homem sensível e esclarecido frente os desmandos da ditadura que, por 21 anos, assombrou o Brasil. Por outro lado, ele, no estilo de Chico Buarque, sabia captar os meandros da alma feminina. Muitas de suas canções fizeram a fama de muitas cantoras. Entre elas: Maria Bethânia, Elis Regina e Simone.
 
O IS posta a canção A felicidade bate à sua porta e aproveita para enfocar dois talentos numa cajadada só. A canção foi gravada, em 1977, no disco inaugural das Frenéticas. O sexteto era formado por Sandra Pêra (ex-esposa de Gonzaguinha), Lidoka, Nega Dudu, Leiloca, Dudu Moraes e Regina. Nesta canção, o compositor passeia por dois caminhos que, originalmente, não faziam parte do seu metier: a discoteca e as canções que exaltavam a alegria. Mas craque é craque. Novamente, Gonzaguinha acertou a mão. A canção virou hit e as Frenéticas conquistaram o disco de ouro.
 
Sem mais delongas, viva Gonzaguinha!!!! Viva as Frenéticas!!!

Aroldo José Marinho



Frenéticas- A felicidade bate á sua porta

Raul, mais do que nunca

O IS reproduz matéria escrita por Pedro Brandt na edição de hoje do jornal Correio Braziliense.



MÚSICA
Raul, mais do que nunca
Hoje o cantor e compositor baiano completaria 66 anos, fãs prestam homenagem e esperam a conclusão de um documentário de Walter Carvalho
Pedro Brandt
Juan Luiz Guerra/Divulgação
Raul Seixas no palco: existem mais de 30 livros que narram a trajetória do mito anárquico da música brasileira

Tradicional ponto de encontro de fãs de Raul Seixas, o Bar do Kaká, na Rua Augusta, São Paulo, foi o local escolhido para a comemoração dos 30 anos do Raul Rock Club, o mais antigo e tradicional fã-clube dedicado ao cantor baiano. A festa, no domingo passado, antecipou em dois dias a data de fundação do clube: 28 de junho de 1981 — não coincidentemente, o mesmo dia e mês de nascimento do ídolo. Raul, morto em 1989, completaria 66 anos hoje.

Paulo de Araujo/CB/D.A Press - 17/2/09
"É um filme que relata a história do Raul através das músicas. Tudo que ele provocou na vida é contado pelas canções"
Walter Carvalho, diretor
O paulistano Sylvio Passos, hoje com 48 anos, fundou o clube aos 17, quando conheceu Raul. A relação fã-ídolo, ele conta, durou só os primeiros meses. “Depois virou amizade mesmo, brothers para toda e qualquer situação. Como digo: éramos amigos de mesas de boteco a clínicas psiquiátricas.”

O cantor confiou ao amigo um vasto material. Fazem parte do acervo do fã-clube manuscritos, roupas, fotografias, instrumentos musicais, diversos objetos que pertenceram a Raul e incontáveis fitas de rolo com gravações das mais diversas (muitas delas, raridades, acabaram no LP Let me sing my rockn’n’roll, organizado por Sylvio).“O Raul Rock Club sempre foi um fã-clube atípico. As atividades estão mais focadas em produções de discos, livros, eventos de porte, ações sociais e, evidentemente, com a preservação da memória do artista, visto que no Brasil pouco se faz pela memória daqueles que tiveram importância significativa para a história deste país”, define Sylvio.

Ainda que com várias sessões em construção, a versão digital do fã-clube (www.raulrockclub. com.br) continua como um dos melhores pontos de partida para quem quiser conhecer outras  obras e admiradores do maluco beleza. Com a internet ficou não só mais fácil encontrar pessoas com interesses em comum, como pesquisar a trajetória de um artista. Com Raul não é diferente. Em sites de relacionamento, blogs ou revistas virtuais é possível garimpar bastante informação sobre o músico soteropolitano.

Nas livrarias e sebos também podem ser encontrados outro importante manancial de informações sobre Raulzito. Existe mais de 30 livros publicados dedicados ao cantor. Toninho Buda, autor de A paixão segundo Raul Seixas (publicação definida como uma obra de ficção, baseada em fatos reais) acredita que ainda assim o mercado carece de uma boa biografia de Raul Seixas. “Passados 22 anos de sua morte e quase 40 desde que ele começou a fazer sucesso é difícil acreditar que alguma coisa ainda não tenha sido esmiuçada em sua vida e obra. Mas os livros a seu respeito são todos muito superficiais e é impossível torná-los uma unidade coerente”, avalia.

No cinemaO músico e jornalista Ayrton Mugnani Jr., autor da biografia Eu quero cantar por cantar, acredita que, tal como acontece com Renato Russo, os Beatles, Elvis e tantos outros, sempre é possível encontrar um novo enfoque para falar de um artista. “O uso de percussão de umbanda, viola caipira, ritmos nordestinos nas músicas de Raul ainda podem ser estudados mais profundamente”, exemplifica.

O jornalista Edmundo Leite encarou o desafio de fazer um livro sobre Raul Seixas. Sua pesquisa começou em 2004 e desde então ele realizou mais de uma centena de entrevistas, no Brasil e no exterior, com pessoas que conviveram com o cantor. “A história dele é fantástica e ainda há muito a ser dito sobre o Raul. Decidi escrever a biografia justamente por considerar que a história dele ainda não está bem contada. Vários aspectos importantes de sua vida e da sua obra ainda são desconhecidos até mesmo dos fãs mais fervorosos. Sobre a criação musical, por exemplo, há muita coisa a se contar”, conta Edmundo.

Toninho Buda enxerga no filme Raul Seixas — o início, o fim e o meio, de Walter Carvalho, a possibilidade de uma biografia com novidades até para os fãs. “Eles entrevistaram pessoas que nunca haviam sido ouvidas, como Euclydes Lacerda de Almeida. Este homem, que no cotidiano tinha sido um funcionário exemplar da Petrobras, havia sido também instrutor de magia de Raul Seixas e Paulo Coelho dentro da famosa Ordo Templi Orientis, organização secreta a que eles pertenceram nos anos 1970. Euclydes nunca havia falado antes sobre o assunto, e faleceu poucos meses depois da entrevista”, conta Buda.

“É um filme que relata a história do Raul através das músicas. Tudo que ele provocou na vida é contato pelas canções”, detalha Walter Carvalho. Atualmente, o documentário está em fase de pós-produção. A expectativa é que estreie ainda no segundo semestre, provavelmente em algum festival. “O filme é uma confirmação da personalidade irreverente do Raul. Do artista libertário que ele foi e, de certa forma, ainda é. Esse é o perfil do personagem que nós pegamos”, continua o cineasta, que explica ainda que, para contar, em detalhes, da infância à morte do cantor, seria preciso seis horas (seu filme tem duas).

Para o brasiliense Humberto Martins, que se apresenta cantando músicas do ídolo como Tika Seixas, novidades sobre Raul não são tão necessárias quanto o que se sabe sobre o cantor que ainda causa encanto. “A visão dele sobre as coisas não envelheceu. Tente outra vez é atual até hoje. Ave Maria da rua para mim é uma oração.” No próximo domingo, Tika Seixas fará uma homenagem ao mestre Raul na cervejaria Kaixa D’Água, Praça da CNF, em Taguatinga Norte,  a partir das 17h.